segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Pingando na mídia

40 anos de Ranço:

Que a Veja não suporta a esquerda e não perde a oportunidade de cutucar os marxistas, "esses meliantes vermelhos, devoradores de criancinhas", não é novidade pra ninguém. Tudo bem, afinal de contas vivendo sob um Estado pretensamente democrático, todos possuem a tal liberdade de expressão, baluarte-mor do livre pensar. Mas espanando os clichês e as frases [propositalmente] de efeito, me deparo com a Edição Especial dos 40 anos do carro-chefe da Abril. Em clima de retrospectiva de fim de ano [sem Roberto Carlos, Xuxa, ET e 'Esqueceram de Mim'], Veja faz um passeio pelo tempo, a partir do tenebroso ano da criação da revista: 1968.
Com um design excelente, os comandados de Roberto Civita capricharam na idéia de fazer o leitor guardar a edição [exclusiva para assinantes, mas disponível online] quase como uma espécie de manual de história do Brasil contemporâneo. Agradável às mãos e aos olhos, o exemplar destila textos rançosos anti-comunistas por todos os lados, utilizando a linha simplista maniqueísta de mocinhos x bandidos, deixando a leitura chata até pra quem, como eu, não veste camisa vermelha com a cara de Che Guevara. Pingando um pouco de sumo de laranja azeda na pereba deles, a impressão que se tem é que alguns textos foram escritos pelo radical xiita ultra-direita Olavo de Carvalho (dê uma lida nas páginas 102,103, 104 e 118). Estranhos no ninho são o excelente artigo do Zé Murilo de Carvalho que vai de 7 de setembro de 1822 ao 2008 das profundezas do pré-sal numa análise panorâmica madura e bem argumentada; as reportagens e infográficos sobre ciência e tecnologia e a arte da revista, que proporciona belas e relevantes imagens ao leitor.

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