sábado, 6 de setembro de 2008

“É Gustavo... pobre sofre!”

Maria é uma colaboradora da minha "empresa familiar". Ela mantém o ambiente limpo e cozinha para nós. Vez ou outra me vem com esse "insight" que ela deve ouvir todos os dias no meio onde vive: "é, pobre nasceu pra sofrer..." Com ironia, resmungo: Num é mulé... Na verdade quem sofre sou eu toda vez que a ouço falar isso. Há um espírito de pobreza e auto-piedade pairando naquela pobre alma sofredora.
Não, eu não estou judiando da "coitadinha", o que acontece é que eu percebo que ela alimenta em todos da família, um sentimento de compaixão de modo que nosso coração transborde e derrame bens materiais sobre ela, perdão (pelos objetos quebrados e pela inconstância do sabor da comida) e aquela graninha a mais para inteirar o mês.
Dia desses deixei que o Winamp fizesse uma seleção de músicas do Gabriel O Pensador, Maria limpava meu quarto quando de repente começa a tocar a música “A dança do desempregado”, logo ela começa a cantar a plenos pulmões, o comiserado refrão. Maria, como tantas outras pessoas, deve aprender que o sucesso financeiro vem do trabalho bem feito, da sua competência ao exercer suas atribuições. A partir daí, novos trabalhos virão e mais dinheiro ela terá. O resultado é que, eu não a recomendo pra ninguém, tampouco quando me casar irei contratá-la para cuidar da minha casa. Ensine isso para sua empregada ou para aquela pessoa de quem você lembrou enquanto lê o texto, talvez ela enriqueça e pare de sofrer.


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SoSuechtig, Burajiru