sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Comendo livros...

Há muito eu não tirava um tempo pra ler um romance, uma ficção... Quase sempre às voltas com meus livros de História, o que não deixa de ser gostoso, diga-se de passagem, mas aí são outros 500. A historiografia é um dos meus instrumentos de trabalho, e por mais apaixonante que seja, chega uma hora que enche o saco e quero mesmo é ler estórias. Cá estou, então, lendo dois (ao mesmo tempo) dos três excelentes livros que ganhei de aniversário.

Germinal - Classicão de Émile Zola, décimo terceiro da série Les Rougon-Macquart, e o mais famoso deles. A história se passa no Norte da França, escrita em 1885, e trata das mazelas do capitalismo selvagem nas minas de carvão francesas. O relato originou um filme, com Gerard Depardiéu, por sinal um bom filme. O estilo é o mais direto possível. Realista e minucioso. Para compor Germinal, Zola passou dois meses trabalhando como mineiro na extração de carvão. Viveu com os mineiros, comeu e bebeu nas mesmas tavernas para se familiarizar com o meio. Sentiu na pele o trabalho sacrificado, a dificuldade em empurrar um vagonete cheio de carvão, o problema do calor e a umidade dentro da mina, o trabalho insano que era necessário para escavar o carvão, a promiscuidade das moradias, o baixo salário e a fome. Além do mais, acompanhou de perto a greve dos mineiros. Um verdadeiro inferno de Dante muito bem descrito e escrito.

Cem melhores crônicas - que, na verdade, são 129 - Livrão do Mario Prata! Ao lado de Luis Fernando Veríssimo, um dos meus cronistas prediletos, lançou esse ano essa coletânia com 129 crônicas, muitas das quais publicadas no Estadão (São Paulo). Prata fala de futebol, homens e mulheres, sexo, cotidiano, com a desenvoltura de quem sabe brincar com as palavras. Tiradas sensacionais e risadagem garantida é o que tenho comido desse excelente livro.

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SoSuechtig, Burajiru